Clara.

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           Inesperada, impaciente, imprevisível e independente. É uma personagem em que o externo é facilmente adivinhado, mas o interno? Se perde indefinido. Ela não teme. Não tem medo do inesperado e nem do desconhecido. Ela se joga e não pensa sobre os perigos da queda, seu lema, é que a vida seja vivida em todos os instantes. Ela tem dentro de si uma ânsia em mergulhar sem se preocupar com os equipamentos, ela se arrisca de olhos fechados. É corajosa, se joga no que for preciso e sempre segue os seus instintos pessoais. Clara era assim, Clara é linda. Sabe daquelas mulheres que invade a cabeça da gente, e não sai nem por um segundo? Ela é assim, talvez ela nem saiba disso. Clara não prestava atenção nessas coisas, não se atentava aos detalhes. Quando a conheci, achei que era igual as mulheres que vejo por aí, bonita e meiga, nada mais do que isso. Mas não, Clara era diferente, ela encantava mesmo sem querer, mesmo sem saber. Até hoje não sei o que ela tinha de diferente das outras, não deu tempo de descobrir. Às vezes, acho que era o olhar intenso, ou o jeito que ela mexia nos cabelos, ou aquele sorriso bobo, ou o jeito de me abraçar. Não sei. Um dia cheguei a pensar que Clara seria minha. Engano meu, ela nunca seria minha, ela nunca foi minha. Nem nos dias que eu a tinha nos meus braços, nem nos dias em que ela dizia sentir saudades. Nem nas vezes que eu dizia palavras bonitas, nem nunca. Ela é daquelas pessoas que não se entrega fácil, ou nunca se entrega. Clara parece ter medo da entrega absoluta. A vida fez de Clara uma pessoa muito forte, e ao mesmo tempo, uma pessoa muito frágil. Me apaixonar por ela foi fácil, aconteceu em poucos segundos. Bastaram apenas algumas palavras e meu sorriso se voltou totalmente à ela. Os meus dias com a Clara foram incríveis, para não escrever perfeitos. Existia uma alegria que não cabia dentro de mim, nem fora de mim. Às vezes, me culpo por cada sorriso que eu não dei a ela, pelas vezes que não abracei ela mais forte, e por todas as vezes que eu não deixei claro como eu me sentia completa por estar na sua presença. Clara, embalada pelo frenesi do momento, solta as palavras em um ato escorregadio. Isso costuma causar sérios problemas, embora as palavras não voltem, ela até tenta reparar a bagunça que causou. Triste é deixar Clara ir embora. Não, deixar Clara partir não é o preço que eu tenho que pagar. E mesmo que minha vontade, fosse passar o resto da minha vida com ela. Não, o resto não. Porque uma vida com ela, nunca seria resto. Mesmo não querendo que ela saia da minha vida, eu não mudaria nada do que aconteceu.  Eu viveria tudo de novo, se dessa vez, ela me entregasse o seu coração por inteiro. Guardar pra sempre Clara, essa é a minha maior saudade.

2 comentários:

  1. Algumas saudades são eternas.
    Lindo texto. A luz de Clara brilhou.

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    1. A Clara é indescritível, sem dúvidas. Fico feliz em perceber que ela também mexeu com o seu coração, ela causa isso mesmo.

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