De repente, sentimos a cabeça latejar de tanta dor e o coração bater devagar, quase parando. Às vezes, a vida nos surpreende com imprevistos negativos e em muitos casos, tudo o que queremos nesses momentos é mergulharmos em um balde de água fria, na piscina, no mar, até mesmo na banheira ou no tanque da lavanderia. Sob pressão, sentimos aumentar a pulsação do coração, começamos a pensar no tempo que estamos aguentando ficar com a cabeça submersa, o relógio chama atenção para analisarmos o cronometro, começamos a ficar aflitos, mexemos o corpo para esquecer da falta de ar, observamos as bolinhas de oxigênio, abrimos os olhos e nada enxergamos, começamos a bater os pés através de um impulso incontrolável, já não temos de onde tirar o ar, chega desse sufoco. Levantamos da água com uma respiração ofegante, os olhos se abrem rapidamente, tiramos o cabelo do rosto, a pele está enrugada, escutamos pessoas pronunciarem os nossos nomes, o corpo estremece e caímos sem sentido no chão. Finalmente, conseguimos resgatar as nossas vidas, sempre da mesma forma, em um ciclo sem ponto final. As coisas insistem em acontecer, sentimos o afogamento, os dias se tornam tumultuados, as notícias chegam, sentimos muita falta de ar, os medos interrompem os sonhos, e nós sempre achamos que aguentamos mais alguns segundos, tentativa sempre inválida. Aí nos apaixonamos, e resgatamos a vida.
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