Juntando os pedaços.

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          Não sei ao certo, se cada um de nós temos um destino separadamente ou se estamos todos juntos, mesmo inconsciente, em nome do amor. Ou também, se apenas flutuamos sem rumo, como uma leve brisa solta por aí. Talvez, sejam ambas as coisas, pode ser que tudo isso aconteça ao mesmo tempo. Tenho jogado com a minha maior força, com o máximo de empenho, respeitando as linhas do vento. Ando vagamente, sempre buscando você. Pensando racionalmente, na leveza do meu corpo e no peso do meu coração, não sei se é possível preencher um espaço vazio, com aquilo que eu já perdi. Acho que quando perdemos alguns pedaços internos, se eles voltarem, talvez não caibam mais onde pertenciam. É como se, com a ausência desses pedacinhos, o meu corpo substituísse com um pedaço de carne. Mais ou menos assim, sai emoção, entra razão. Esses pedaços que eram fundamentais aqui dentro, se perderam e por isso, não faz mais sentido voltar. Nada mais vai se preencher como antes, o lugar foi reposto e não existe mais o seu encaixe perfeito. Um pedaço restaurado e encaixado mais de uma vez no mesmo local, poderá causar novas sensações. Sendo elas melhores ou piores, jamais serão iguais como antes. Novamente aqui, falando da sua falta, acabei de perceber que, se de alguma forma você voltasse, nada mais adiantaria. Porque você não conseguiria preencher o imenso buraco, que a sua ausência causou.  Lá no fundo, bem no fundo mesmo, nós sabemos quando o fim está próximo, mesmo antes dele chegar. Assim como também, o desapego sempre deixa sinais. Nós já sabemos quando perdemos, mas a realidade, é que por mais que tentamos nos adaptar com a verdade, nunca estamos prontos para dizer adeus. É inevitável, um dia sem mais e nem menos, acordamos e percebemos que não adianta mais olharmos para trás, chegou a hora de seguirmos em frente. Não percebemos que na maior parte do tempo, o amor é uma questão de escolhas. É uma questão de deixar o vento nos levar, sabendo para onde estamos indo. Podemos desperdiçar nossas vidas tentando remendar pedacinhos que não fazem mais parte de nós, mas que queríamos que juntassem como antes. Não perca seu tempo, dificilmente você vai conseguir montar duas vezes o mesmo quebra cabeças. Não pregue peças no seu destino, não conte apenas com a sua própria sorte. O que não vier para nos trazer leveza, que volte de onde veio. Esteja leve para receber da forte ventania que se aproxima, a peça que falta na sua vida. E aí, você vai perceber que é perca de tempo tentar moldar uma peça, enquanto no tempo certo, o vento vai fazer justiça ao seu esforço de restauradora. E quando o vento te trouxer recompensa, você vai entender o porque tantos pedacinhos partiram e tantos outros não se encaixaram. Agora tudo faz sentido: De uma forma ou de outra, tudo está completo. Você aprendeu a voar.

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