Estamos acostumados a escutar palavras vazias, que acabam sendo esquecidas em pouco tempo. Quando as palavras são profundas, como diz a minha vó, "quando a esmola é demais, até o Santo desconfia". O que nos torna difícil, acreditar em promessas, porque as promessas acabam sendo apenas palavras que exigem de nós, o mínimo possível de confiança. Se as palavras são fracas, as atitudes, de certa forma, não existem. É mais difícil ainda, enxergarmos as coisas de outra forma, acreditando que dessa vez vai ser diferente, quando de imediato, lembramos de todas aquelas vezes que colocamos esperança e positivismo, mas acabou sendo exatamente tudo como antes. É como persistir no erro, mas ainda assim, ter esperança do novo. Mais aterrorizante e deprimente do que chorarmos por alguém, é anteciparmos a tristeza de um belo sorriso. É olharmos esse sorriso contagiante e no mesmo momento, imaginarmos que esse mesmo sorriso vai nos causar alguma dor mais para frente. Não estou tentando transformar uma situação positiva, como negativa, estou apenas sendo realista. É um pouco além disso, é como se ativasse automaticamente um botão no meu cérebro, me dizendo que todas as coisas boas, podem instantaneamente, se tornarem ruins, na mesma proporção de intensidade. Sair da nossa zona de conforto, sempre se torna perigoso. Mas, mesmo com tantos cuidados e proteções, mais cedo ou mais tarde, essa zona de conforto é invadida por um dos nossos piores pesadelos. E a situação de insegurança, novamente se repete. Fiquemos entre a linha tênue do paraíso e o inferno, da razão e emoção, de arriscar e recuar, do sentimento e esquecimento, de se entregar de vez ou fugir disso tudo enquanto temos tempo. Todas as vezes que a vida me derrubou, eu me levantei sozinha, por isso, eu não deixo de arriscar. E todo esse medo, essa assombração que insiste em nos aterrorizar, não me assusta mais. Eu aguento firme, sou forte e não preciso me apoiar ou depender de alguém. Por melhor que seja a companhia ou a pessoa, e independente do quanto me faça bem, a vida me ensinou que mesmo quando eu estiver sem alguém, eu terei a mim e isso vai me bastar nos momentos de solidão. E que não adianta eu me trancar em quatro paredes, soluçar escondida no banheiro, fazer greve de fome ou sair por aí, com o cabelo todo desarrumado. O segredo disso tudo é se entregar, e saber que mesmo com os riscos inevitáveis, cada vivencia se tornará uma experiência. Se guardar e se restringir aos sentimentos, é como tornar a vida sem sal e sem açúcar. Se entregar ao amor, não é se render. Se entregar ao amor, é apostar na própria felicidade, é alimentar o amor próprio. É preencher os pedacinhos machucados do coração, com esperanças e positivismo. E principalmente, é aprendermos que na mesma proporção que devemos nos entregar, quando necessário, também devemos saber perder.
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