Como regra universal, nunca sabemos o momento em que o jogo pode virar e nos pegar de surpresa. Posso exemplificar, com a dança das cadeiras, que é extremamente sutil, mas não conseguimos escutar elas se arrastarem no chão. Acontece o mesmo com o envolvimento, que começa breve, como a pausa para um simples café em uma tarde rotineira. E quando menos esperamos, a xícara vira o prato principal de uma refeição deliciosa. Acho realmente uma pena ver que a sua fome tem aumentado, e a minha não. O desapego de ter você na minha cama mudou, mudou minha respiração quando você dorme do meu lado, mudou o destino dos meus pensamentos, mudou a forma como meu ouvido escuta teu sussurro dizendo "como é bom estar com você". Tudo mudou e eu nem percebi até você me dar aquele abraço apertado, que não foi aconchegante como todos os outros. Sei que eu não abracei só o seu corpo, mas uma série de esperas, desejos, vontades, saudades que você estava acumulando há muito tempo. Poderia não ser de você, especificamente, mas aí você apareceu. Eu gostaria de poder me proteger desse enorme letreiro "vou me ferrar de novo", bem colorido e iluminado que eu vejo agora. Gostaria de apagar essa luz que acendeu sem a minha permissão, dói nos olhos e no meu coração. Gostaria de não sentir no peito essa angústia, diante do rumo óbvio dessa história, uma história que eu não queria ser a protagonista. Mas você não sabe o quanto eu fui pega desprevenida, muito menos desconfia que quem vai pagar o preço mais alto, sou eu. Você nem sonha, nem imagina que tudo mudou para mim, mesmo que, para você, sua cadeira não tenha saído do lugar.
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