Sorria e tenha um bom dia.

Por
Advertisement
          Quando a noite se torna dia, ao amanhecer, todos nós desejamos ter um bom dia. Ao abrirmos os olhos, queremos enxergar um dia inovador, seguido de surpresas completamente inesperadas. Mas, ao contrário das nossas vontades, acordamos reclamando. Reclamamos desde o momento em que o despertador toca, até quando anoitece, e com o corpo cansado, deitamos novamente na cama. Temos esse costume equivocado, de reclamar ao invés de agradecer. Quando o despertador toca logo cedo com aquela música insuportável em nossos ouvidos, desejamos jogar ele na parede com todas as nossas forças, imaginando ele todo quebrado em pedaços no chão. Como se isso fosse adiantar alguma coisa, afinal, a energia negativa começa logo cedo e nem ao menos percebemos isso. E então, após uma briga unilateral com o despertador, enfrentamos o nosso próximo desafio: O chuveiro. No caminho entre a cama e o banheiro, reclamamos: Do horário, de algum problema no trabalho, do vizinho que mora no apartamento de cima e faz barulho ao andar, de um amigo chato, do irmão que deixou o quarto bagunçado, das contas que deverão ser pagas até o final do mês, do trânsito que não tem certeza que enfrentará, do cachorro que não para de latir, da paquera que visualizou mas não respondeu a mensagem e claro, do dia que ainda nem ao menos começou. Pensamentos totalmente negativos, que em fração de segundos, tomam conta da mente inteira. Ao chegar no banheiro, liga o chuveiro e as reclamações continuam. A água que demora para esquentar, a toalha que esqueceu de pegar, a roupa que ainda não escolheu, o sapato que está sujo e a música que parou de tocar porque acabou a bateria do notebook. Após sair do banho, o desconforto em sair da água quente e enfrentar a leve corrente de vento que passa pelo quarto, as horas que passam rápido demais, o cabelo que não amanheceu de bom humor, a roupa idealizada no dia anterior que não combinou ao se olhar no espelho, a lastima ao não ter comprado aquela roupa nova do shopping no último final de semana. Enfim, antes de sair de casa, hora de tomar o café. Reclama do pão por estar levemente queimado, do achocolatado por ter colocado açúcar demais, ou do suco, por estar amargo. Também, reclama da manteiga que melecou as mãos, e dos dentes, que terá que escovar de novo. Ao sair de casa, enfrenta ônibus e metrô lotado, reclama dos passageiros que empurram, das pessoas de idade que pisam sem querer no sapato que lavou semana passada. Se for de carro, reclama do semáforo que ficou vermelho bem na hora de passar, do motorista ao lado, que quase bateu o carro. Dos pedintes que batem no seu vidro, do trânsito sem fim que enfrenta todos os dias. De uma forma, ou de outra, chegando no trabalho, está se sentindo uma exaustão sem tamanho. Afinal, tanta coisa aconteceu desde que acordou, tantos pensamentos negativos até aqui. Isso tudo não foi suficiente, você chegou atrasada. Entra toda avoada no trabalho, tropeça nas escadas, olha para o seu chefe e inventa a primeira desculpa que passar pela cabeça, justificando o seu atraso. Não, você nunca é capaz de assumir o atraso, e para isso, culpa até o cachorro, se achar que essa é uma desculpa plausível. Sua consciência não pesa por isso, e o seu dia segue normal. Inicia o expediente, e vez ou outra, o celular te desconcentra. No almoço, você reclama da prova que tem no período da noite, do professor que deu um curto prazo para entregar o trabalho, faz uma fofoca maldosa do colega que trabalha ao seu lado, retruca de algum problema familiar, e até da avó que está ficando cada vez mais ranzinza. Deu o seu horário, hora de ir embora. Aliás, teoricamente, porque você também reclama da diretora geral que te chama para uma reunião de última hora. Todo aquele tumulto no percurso entre a sua casa e o trabalho, se repete, só agora, do trabalho para a faculdade. Sai correndo do trabalho, esquece o facebook logado no computador da empresa, volta para pegar a matéria da prova que ficou escondida na bagunça da gaveta e um colega empolgado te convida para um happy hour. Gentilmente, você balança negativamente a cabeça, mas em pensamento, você está xingando ele de todos os nomes mais feios que possam existir. Calma, ele não tem culpa do seu dia. Mantenha a educação, seja lá com quem for. Pronto, chegou na faculdade, reclamou por não encontrar vaga na rua e por ter que pagar estacionamento, reclamou que o ônibus demorou para passar, que o metrô estava mais lento do que nunca, sua aula já começou e você mais uma vez, está atrasada. Senta na primeira cadeira que encontra pela frente, e mentalmente, reclama que está muito próximo do professor ou muito longe das amigas. No intervalo, o tempo que você teria para espairecer, você mata a ansiedade pensando no trabalho do dia seguinte, comendo três coxinhas. Não contente, agora você reclama da quantidade de calorias que adicionou no seu corpo e ainda por cima, da falta de tempo em não poder frequentar uma academia para perdê-los. Bom, o trajeto da faculdade até a sua casa, não é muito diferente dos que enfrenta ao longo do dia. Finalmente, você chegou em casa. Podemos concluir, que o dia não foi muito bom, e que não importa o quanto você deseja que o dia termine bem, se você não torná-lo positivo. Deveríamos iniciar o dia com apenas duas palavras: Perdão e obrigada. Magoamos muitas pessoas, eu prefiro acreditar que isso acontece involuntariamente. O fato é que, intencional ou não, magoamos mesmo sem querer magoar. Nem sempre conseguimos dizer sim como resposta, mas também, nem sempre é necessário falar um não. Assim como nem sempre queremos ou podemos, nem sempre é recomendável, nem sempre. É como fazer uma prece matinal, e através dessa fé depositada, perceber que é preciso pedir desculpas e agradecer. A necessidade do perdão ser funcional, da compreensão que devemos ter diante dos imprevistos do acaso, do amor vencer quem queira ódio, da natureza ser capaz de nos transmitir energias positivas que nos fazem ir além da teimosia, da birra e do egoísmo. Frequentemente, não sei se conseguiríamos passar um dia inteiro sem magoar algum coração alheio. Às vezes, um gesto imperfeito, uma mentira, um atraso, uma negativa, um mau humor, uma dor, uma falta de controle emocional, essas são variáveis que influenciam completamente entre o uso da palavra perdão e obrigada. Como tudo na vida é recíproco, ou quase tudo, acaba sempre que quem magoa alguém, acaba se magoando também. Assim como quem pede perdão, também deverá perdoar. É como uma multiplicação que se intercalam entre o sim e o não. E não importa se é dia ou noite, sol ou lua, o que é bom, deverá continuar bom até o final. Estamos todos juntos, no meio dessa variedade de pessoas, sentimentos, desejos e diferentes gostos. Tem pessoas que nós devemos agradecer, e outras, necessitamos pedir perdão. Não podemos deixar que o turbilhão de acontecimentos da rotina, nos deixe esquecer de cuidar do nosso corpo e da nossa alma. E finalmente, com a consciência limpa e pensamentos positivos, podemos deitar, e iniciar uma prece onde novamente o pedido de perdão iniciará a oração, seguida por agradecimentos. E para finalizar a prece, importante citar o que deve estar em cada um de nós desde o momento que levantamos até o momento que nos deitamos, o amor. Porque no meio desse jogo de acertos e erros, o amor é sempre um porto seguro. E assim, o dia não só começou bem, mas também permaneceu e acabou melhor ainda. É um fluxo contínuo, alimentado por energias positivas, que nos traz o bem estar necessário para compartilharmos o tempo inteiro, sorrisos sinceros onde quer que estejamos. Tenha um bom dia, o dia todo. 

0 comentários:

Postar um comentário